O TREM DO NATURALISMO

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Por Denise Dias Paschoal

Todos nós, seres humanos, já pegamos trens andando e quase sempre nos esquecemos de perguntar: De onde vem este trem? Qual o sentido do seu trajeto? Qual o seu destino?

No trem do naturalismo, os passageiros baseiam sua dieta em grãos: pães de trigo integral, massas de trigo integral, arroz integral, lentilha, feijões, grão de bico, ervilha. 

Consumir arroz branco ou trigo branco nunca foi um problema! O problema é que as pessoas passaram a basear suas dietas no arroz e no trigo e deixaram de consumir legumes, frutas e verduras. O problema é que, de um quintal com centenas de espécies diferentes de alimentos, entre nativos e exóticos, passamos a consumir basicamente dois.

Não é solução substituir arroz branco por integral, mas resgatar na população o consumo de raízes, legumes e frutas como base de sua dieta. Trata-se de mudar esta cultura do arroz e do pão e nos alimentarmos daquilo que nos oferece a nossa terra.

No Brasil, trigo e arroz nada têm de natural. A maior parte do trigo consumido no Brasil é importado. A produção de arroz hoje é altamente tecnificada e competitiva e expulsou do campo não só os animais, devido ao desmatamento e inundação nos campos, mas os pequenos agricultores. Todo grão cultivado hoje provém de melhoramentos visando alta produtividade e lucro.

Quem está nesse trem? Somo nós, os naturalistas. E não somos nós que queremos o natural, o saudável e o socialmente correto? Para quê arroz integral, se as vitaminas do complexo B que ele oferece estão todas e mais ainda no brasileiro inhame? Também a mandioca, bem brasileira, fornece inúmeras vitaminas e sais minerais. Outras raízes, não tão brasileiras, se adaptam bem às nossas condições e favorecem a agricultura familiar: cenoura, batata doce, cará, mandioquinha, bardana, beterraba. Elas não são complementos, mas a nossa principal fonte de carboidratos e micronutrientes. 

Nós, os consumidores, podemos mudar o sentido desse trem. Mudemos a agricultura a partir dos nossos hábitos de mesa. Não escolhamos nossos alimentos pelo preço ou pelos modismos, mas pelo valor biológico e social que ele tem. Vamos todos à feira orgânica e à horta, plantemos nos nossos quintais e façamos deles a fonte principal da nossa alimentação.

Não deixemos de comer grãos, eles são necessários, em parte, mas não façamos deles a base de nossa dieta. Lentilhas, grão de bico, ervilhas provém de terras distantes e enriquecem os bolsos de quem não precisa mais de dinheiro. Olhemos para trás e compreendamos o presente a partir do passado. Paremos os trens alguns instantes e pensemos. Mudemos seus sentido ou ainda coloquemos sentido na sua trajetória. Mudaremos o seu destino e o daqueles que o olham passar.

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