MITOS SOBRE VEGETARIANISMO

Apesar de o foco da investigação científica acerca das dietas vegetarianas já ter mudado de carências nutricionais para prevenção de doenças há mais de 20 anos, o tema mais frequente de debate com o público e até mesmo com os profissionais de saúde ainda é a adequação nutricional da dieta vegetariana.

Temos as respostas para quase todas as questões nutricionais que já foram levantadas. Mas a maioria dos “desafios” intelectuais que são propostos no dia-a-dia de um vegetariano não passa de um ledo engano. A melhor resposta provavelmente seria simplesmente dizer: “sua afirmação está correta, e daí?”. Isso porque, na maioria dos casos, esses questionamentos trazem afirmações verdadeiras sobre os alimentos, mas são seguidos por uma conclusão equivocada e sem relevância. Nos casos que apresentarei a seguir, a relevância inexiste.

A carne contém mais ferro do que os vegetais.

É fato. E daí? Não precisamos da melhor fonte, precisamos apenas daquela que nos seja suficiente. É verdade que, em sua maioria, os vegetais contêm menos ferro do que a carne, mas ainda assim eles suprem a nossa necessidade pelo mineral. Se os defensores de uma dieta onívora fossem levar à risca esse pensamento de que apenas o melhor serve, eles defenderiam o consumo do fígado dos animais exclusivamente, haja vista que este contém mais ferro do que as outras carnes.

Mas o ferro-heme (encontrado nas carnes) é mais bem absorvido do que o ferro não-heme (que compõe a totalidade do ferro encontrado nos vegetais).

Sim, ele é mais bem absorvido. Uma pessoa com anemia se recuperará mais rapidamente com o ferro oriundo da carne do que com o ferro oriundo dos vegetais, mas isso não significa que a vegetariana não se recuperará. O que muda é a velocidade da recuperação, que no caso do ferro encontrado nos vegetais (não-heme) pode ser aumentada associando outros fatores à ingestão dos alimentos ricos em ferro, como a ingestão de alimentos ricos em vitamina C, por exemplo. No que diz respeito à manutenção do status de ferro, o ferro não-heme é suficiente para esse propósito, bastando escolher as boas fontes do mineral (leguminosas, oleaginosas, frutas secas, vegetais verde-escuros, melado-de-cana) e excluir da dieta os alimentos que atrapalham a sua absorção, como é o caso dos laticínios, que além de atrapalharem ainda se apresentam como péssimas fontes do nutriente em questão.

Os vegetais não contém todos os aminoácidos essenciais.

É raro encontrar um vegetal que contenha todos os aminoácidos essenciais, mas isso não tem importância para a nutrição do vegetariano. Ainda que um único vegetal não contenha todos os aminoácidos essenciais, a combinação de uma variedade de vegetais garante o fornecimento de todos eles. Se fôssemos seguir esse raciocínio, chegaríamos à conclusão de que a melhor carne para ser consumida é a carne humana, já que essa é a que mais se aproxima das nossas necessidades, pois tem tudo o que o organismo humano precisa. Mais uma vez, não precisamos do melhor, mas apenas do necessário. Apesar de não apresentarem o mais completo perfil de aminoácidos quando comparamos à carne, os vegetais fornecem, de maneira distribuída e equilibrada, todos os aminoácidos que o organismo humano necessíta.

O corpo humano não é capaz de digerir a celulose ou as fibras vegetais.

Que bom! Mantendo-se intactas, elas podem cumprir o seu papel, que é o de dar volume às fezes e varrer o colesterol pra fora do intestino, entre outros. No entando, algumas não se mantêm intactas, pois são fermentadas nos intestinos por bactérias. Isso gera a formação de substâncias muito importantes para a prevenção de algumas doenças. Se elas fossem digeridas como acontecem com alguns animais herbívoros que têm a capacidade de digerir a celulose, perderíamos essas possibilidades. O corpo humano foi desenhado para consumir muitas fibras, que somente os vegetais podem nos fornecer. Ele também foi desenhado para não digerí-las, o que tem efeito benéfico.

Os vegetais não fornecem o colágeno.

É verdade, não possuem. Mas isso não tem qualquer relevância para a saúde humana. Assim como os animais herbívoros, os animais humanos fabricam o seu próprio colágeno a partir das proteínas vegetais que consomem.

O leite de vaca é a melhor fonte de cálcio disponível.

Apesar de não ter sido criada para a alimentação humana, é fato que a secreção mamária dos animais mamíferos é uma excelente fonte de cálcio. E daí? Boas fontes vegetais também existem e até superam os laticínios em termos de biodisponibilidade (capacidade de ser absorvido). Os vegetais ricos em cálcio são os mesmos vegetais ricos em ferro, citados anteriormente.

A vitamina B12 não está presente na dieta vegana e isso é prova de que a dieta vegana não é natural à espécie humana.

É verdadeira a afirmação de que a dieta vegana é deficiente em vitamina B12, mas isso está longe de depor contra a naturalidade do veganismo à espécie humana. A vitamina B12 é produzida por bactérias, que já foram mais presentes na contaminação de nossos alimentos, o que mudou em tempos recentes com mudanças nos nossos hábitos de higiene. Portanto, não é a dieta vegana que não é natural à espécie humana, mas sim a espécie humana que não é mais natural ao seu ambiente. A solução para esse problema causado por hábitos modernos é uma solução igualmente moderna: a suplementação.

O fato é que as dietas vegetariana ou vegana são possíveis e adequadas. Toda tentativa em provar que elas não o são começa pela desinformação, passa por uma postura defensiva e termina na manipulação das informações. Enquanto ainda temos que conviver com a desinformação por parte dos que contestam a dieta vegetariana, é importante mantermo-nos seguros e aptos para contestar e informar os que se mostram disposto a isso. Quando se trata de defender o que está certo, a informação é a principal arma.

 

Pelo dr. nutricionista George Guimarães
Texto extraído da Revista dos Vegetarianos
(ano 2 – número 20 – página 42)

7 Respostas to “MITOS SOBRE VEGETARIANISMO”

  1. jorger Rabello Mendes Says:

    Achei o texto muito fraco para quem luta pelo vegetarianismo. Muitos mais motivos temos para nos tornar vegetarianos. As respostas foram pouco convincentes
    Um abraço

  2. Guto Says:

    Pessoalmente, gosto das opiniões e esclarecimentos do nutricionista George, mas fico muito feliz em ver um culto defensor da literatura e da educação, além de conterrâneo do meu pai, vendo além quando o assunto é o vegetarianismo.

    Aproveito para oferecer o espaço Verde Dentro para divulgar sua opinião sobre o tema. Bem vindo!

  3. Pedro Vilarinho Says:

    Ao contrário de jorger mendes achei o texto bem interessante.
    Sugeria ao jorger mendes reler. Parece que não entendeu o propósito:
    Não precisamos o melhor texto possivel, apenas o necessário! … para desfazer alguns mitos.
    Caro jorger o texto é só sobre conclusões irrelevantes retiradas de factos nutricionais… não tomar a parte pelo todo, por favor.

    Gostei muito da lógica usada para descontruir a lógica normalmente apresentada.
    Acho que tudo se pode relacionar com o facto de socialmente sermos treinados para termos o maior, o melhor,o mais rápido, o mais recente. Além disso buscamos mais quantidade do que qualidade… e no final basta apenas….
    o necessário…..

    Fez-me lembrar de um outro mito que durante mt tempo não ‘desmascarei’.
    Quando falava que era vegetariano muitas pessoas contapunham: “mas os animais tb se comem uns aos outros”.

    São apenas uma minoria que se comem uns aos outros! são só os do topo da pirâmide… as vacas, porcos, galinhas, cavalos, baleias, hipopotamos etc… não se comen uns aos outros! Nós comemos animais que não se comem uns aos outros e justificamos isso dizendo que os animais se comem uns aos outros… incrível!

    de facto cada um escolhe do lado em que quer estar.

  4. Sandro Oliveira de Carvalho Says:

    Muito bom o texto: conciso, objetivo, vai direto ao cerne da questão. Ademais, hoje em dia, com a correria dos tempos modernos, infelizmente muitas pessoas não têm tempo para ler e pesquisar de forma mais abrangente, o que seria o ideal, sem dúvida alguma. Desta forma, textos como o do Dr. George Guimarães, justamente por serem mais breves, acabam auxiliando essas pessoas que, de outra sorte, acabariam sem informação alguma.

  5. Carla Says:

    VITAMINA B12 – Clorela (alga unicelular)
    As fontes tidas como mais ricas em vitamina B12
    são o fígado e o músculo dos animais, existindo
    em quantidades menores no leite e nos seus
    derivados.

  6. Carla Says:

    VITAMINA B12 – Clorela (alga unicelular)
    As fontes tidas como mais ricas em vitamina B12
    são o fígado e o músculo dos animais, existindo
    em quantidades menores no leite e nos seus
    derivados.

    Mas descobriu-se que a clorela tem mais
    vitamina B12 que o fígado. Uma colher de sopa
    de clorela pura granulada apresenta 333 % das
    quantidades diárias exigidas pelo, organismo

  7. Manuel Says:

    Atenção que na clorela o composto não é realmente vitamina B12 mas um análogo, de acordo com os estudos mais recentes, que não desempenha as mesmas funções. O mais seguro é recorrer a suplementos pois estes são produzidos recorrendo a fermentação bacteriana e contém a verdadeira vitamina. Com a saúde não convém arriscar, os efeitos das carências muitas vezes só se fazem sentir ao fim de algum tempo, às vezes anos, muitas vezes quando os danos já são permanentes.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: